Roda dos expostos

dispositivo em tudo semelhante às rodas dos conventos e mosteiros de clausura, situado entre o interior de uma casa e a rua, por onde as pessoas abandonavam as crianças de forma anónima. A roda propriamente dita colocava-se numa abertura em tudo semelhante a uma janela, tinha forma cilíndrica, e uma única abertura, girando sobre um eixo. Ao lado, existia uma campainha que era tangida no momento de abandono. A pessoa colocava a criança no cilindro através da abertura, e, do interior, alguém o rodava de forma a retirar a criança da roda e prestar-lhe os cuidados necessários, sem nunca ter contacto visual com a pessoa do lado da rua. Apenas difere da roda dos conventos pela localização (geralmente estes últimos têm rodas no interior da igreja ou na portaria) e pela finalidade, uma vez que nos conventos as rodas se destinavam a fazer passar todo o tipo de objetos do exterior para o interior e vice-versa, e não especificamente crianças de pouca idade. O senso-comum fixou a ideia de que as freiras recebiam expostos, mas a documentação não confirma que tenha sido uma realidade frequente. Segundo a lei, a criação dos expostos competia às câmaras, e, por contrato com estas, a algumas misericórdias do país. Foi Pina Manique quem determinou em Maio de 1783 que todos os concelhos do reino deveriam passar a dispor de uma roda onde as crianças pudessem ser abandonadas de forma legal.

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