O Museu Virtual da Lusofonia. Uma plataforma de cooperação artística, cultural e académica, em língua portuguesa

 

O Museu Virtual da Lusofonia foi criado em 2017 pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho (Braga, Portugal), enquanto plataforma de cooperação artística e cultural aberta a todo o espaço, físico e virtual, da língua portuguesa. Em setembro de 2020 ficou disponível na plataforma Google Arts & Culture, contando com 45 exposições virtuais multimédia, 256 obras de arte, 112 fotografias, 98 programas de rádio, 19 filmes e dois documentários sobre os países de língua oficial portuguesa.

Procurando problematizar as influências do passado colonial no presente, o Museu Virtual da Lusofonia pretende desconstruir os equívocos de um centralismo português, encontrando-se, deste modo, solidamente comprometido com a promoção do conhecimento, por parte dos países lusófonos, das suas inúmeras formas de expressão artística e cultural, preservando e difundindo internacionalmente o seu património. A sua equipa é apoiada por profissionais da educação e dos média, agentes culturais e artísticos, historiadores, sociólogos, antropólogos, editores, políticos e investigadores de comunicação, que realizam o levantamento e a análise de todas as obras expostas.

O museu apresenta obras diversas (fotografias, registos sonoros, registos audiovisuais, textos, músicas, registos dos patrimónios arquitetónico e etnográfico, entre outras), desenvolvidas e cedidas ao museu por artistas, colecionadores e académicos. Do ponto de vista da cooperação académica, a equipa do museu disponibiliza o seu perfil público na plataforma Google Académico, partilhando internacionalmente a sua produção científica.

Para além de dar continuidade ao trabalho de curadoria das coleções que diariamente são cedidas ao museu, esta iniciativa permitirá, também, em parceria com a Google Arts & Culture, virtualizar instituições culturais no seio dos países de língua oficial portuguesa, que serão associadas ao Museu Virtual da Lusofonia, proporcionado, deste modo, visitas virtuais e o acesso à diversidade do património cultural lusófono. Assinalamos, de seguida, algumas das exposições já disponíveis para consulta.

“Cimentar ligações: uma narrativa através da imagem” disponibiliza um conjunto de fotografias da autoria de Luís Meneses, geólogo e fotógrafo amador, sobre as paisagens naturais, urbanas e a vida quotidiana em Angola.

Figura 1: Exposição “Cimentar Ligações” (Angola, 2017)

Fotografia de Luís Meneses.

 

A exposição “Tiradentes: um sopro do Norte de Portugal no Brasil” permite-nos explorar a arquitetura da cidade de Tiradentes, em Minas Gerais e apreciar as obras de um dos maiores artistas plásticos brasileiros, Aleijadinho.

Figura 2: Largo da Matriz de Santo António na cidade de Tiradentes, Minas Gerais, Brasil

Fotografia de Fernando Lopes

 

O Museu Virtual da Lusofonia disponibiliza, também, várias exposições com origem moçambicana. A exposição “Bairro Aeroporto em Maputo: vida, arte e representação” explora a intensa vida cultural do bairro do Aeroporto, em Maputo, apresentando-nos vozes e referências artísticas da região como Malangatana, Shikhane, João Timane e outros. Na exposição “Malangatana: o legado do grande artista moçambicano” é apresentado o documentário “No trilho de Malangatana: do legado à memória” que lança um olhar sobre uma das maiores referências artísticas moçambicanas (o pintor Malangatana) conhecido internacionalmente por trabalhar nos mais diversos suportes (desenho, pintura, escultura, poesia, música, etc.).

Ouri Pota, investigador do museu, acompanhou um conjunto de concertos de artistas moçambicanos. A exposição “Músicos de Moçambique: Luca Mucavele” apresenta parte deste  trabalho.

 

Figura 3:  Luca Mucavele: músico moçambicano, professor, investigador e construtor de instrumentos musicais

Fotografia de Ouri Pota

 

Já a exposição “Um olhar sobre o cinema mudo em Portugal” revela os primeiros passos do cinema por Aurélio da Paz dos Reis, no Porto, conduzindo-nos numa viagem sobre o cinema mudo português. Ainda na área do cinema, a exposição “Pedro Costa: uma referência no cinema contemporâneo de Portugal” apresenta o trabalho do cineasta, que se destacou pelo estilo radical e minimalista e pela representação das comunidades de imigrantes cabo-verdianos ou portugueses com ascendência cabo-verdiana.

Imagem 4: O universo do realizador Pedro Costa

Ilustração de Tiago Vieira da Silva e Joana Canas

 

O som está também presente no Museu Virtual da Lusofonia. Na exposição “Uma viagem literária e musical através da língua portuguesa” podemos ouvir o álbum “Canções para abreviar distâncias”, que nos transporta numa viagem literária e musical através da língua portuguesa, pelos artistas brasileiros Isabella Bretz, Rodrigo Lana e Matheus Félix. O trabalho inclui oito poemas musicados, cada um de um(a) autor(a) de um país de língua oficial portuguesa.

Para além deste álbum, o museu disponibiliza exposições sonoras que resultam dos programas de rádio “Agora…Acontece!” e “Lusofonia: os vários sons da língua portuguesa”. O primeiro programa, apresentado pelo jornalista português Carlos Pinto Coelho, inclui conversas com artistas, músicos, escritores e académicos dos países de língua oficial portuguesa. O segundo programa é apresentado por Brisa Marques – atriz, jornalista, escritora, cantora e compositora brasileira – que entrevista artistas de vários países de língua oficial portuguesa.

 

Texto publicado a 6 de outubro de 2020 na revista Comunidades Lusófonas